
"Os Sex Pistols abriram uma brecha nos meios Pop, esse ecrã de assumpções culturais passivas que mandam no que se deve ouvir e impõem o que se deve fazer. Pela razão simples de que as assunções culturais passivas constituem proposições hegemónicas sobre a maneira como o mundo deve funcionar - construções ideológicas entendidas e experimentadas como factos naturais -, a brecha aberta nesses meios estendeu-se ao domínio da vida quotidiana. Um domínio no qual, agarradas ao trabalho, desempenhando as suas tarefas em casa ou na fábrica ou no escritório ou na rua, indo ao cinema e às compras, comprando discos, fazendo amor, tendo conversas, não tendo conversas, fazendo listas do que há para fazer, as pessoas efectivamente vivem. Se o julgarmos de acordo com as exigências que lançavam sobre o mundo, o disco dos Sex Pistols teria de mudar a forma como cada um estabelece a sua relação com o trabalho, ou seja, teria de ligar esse acto a todos os outros actos e depois pôr em questão o projecto como um todo. Só assim esse disco poderia mudar o mundo."
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